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JJCN
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« Responder #1 em: 25 de Janeiro de 2011, 12:00 » |
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Conquista de Montejunto - 16Jan11 Partimos ás 07h da manhã com o sol a quer romper as nuvens, mas ao chegar a Arruda dos Vinhos, um manto de nevoeiro cobria toda a região. Os 7 bttistas do Fidalbyke, juntaram-se na zona de partida, às dezenas de participantes já agrupados e prontos a partir para mais uma aventura de Btt. Estava muito frio, mas a boa disposição e determinação em concretizar mais um objectivo era bem evidente, e ao sinal, depressa desaparecemos no nevoeiro da manhã, rumo ao topo de Montejunto. Local de partida Os trilhos apareceram depois de uns kms de estrada, mas devido ao tempo húmido e chuva constante dos últimos dias, encontravam-se completamente alagados com muita lama. Por vezes, parecia que não saíamos do mesmo sítio, o que dificultava bastante a jornada e fazia prometer uma longa e lenta caminhada até ao fim. As paisagens compensavam, campos de videiras sem fim, moinhos e vales verdejantes com riachos em abundância e valas com muita água. O Bruno e o Nuno, ainda não recompostos dos açúcares do Natal, encurtaram caminho, e deixaram a nossa companhia, o que lhes iria beneficiar no esforço, mas também uma espera longa pelo nosso regresso.   Paparazzis ocultos e tudo... Só após cerca de 30 kms, que pareciam ter sido 50, por fim, avistamos o contorno esguio e elevado da serra maior lá longe. O terreno começava a ganhar inclinação, as dificuldades a aumentar, os trilhos lamacentos, muitos só possíveis de transpor com a bicicleta às costas, ou eram rios de lama, ou caminhos de cabras, com muita rocha e valas de água com fartura. As bicicletas estavam cobertas de lama, a transmissão queixava-se, e já bloqueava a pedalada, para meu desespero e principalmente para o Carlos, que já brigava com a menina dele em gritarias constantes. Mais à frente, tivemos a felicidade de encontrar uma mangueira à disposição, gentilmente dispensada por um simpático residente, que retirou grande parte da sujidade e deu novo ânimo para continuar, não por muito tempo, pois logo à frente, nova piscina de lama e tudo voltou ao “normal”. Montejunto ao fundo   Ela insistia em bloquear nos piores momentos...  Nestas condições era difícil pedalar... A certo momento, encontrámos uma estrada, e repentinamente, vimos que já estávamos chegar ao cimo da serra, e envoltos numa paisagem espectacular, com escarpadas de um lado onde circulavam caminhantes e praticantes de escalada e um horizonte lá em baixo, onde se avistava povoações pequeninas envoltas ainda numa névoa flutuante. Mais uma subida, mais um esforço, e finalmente conquistávamos o topo da montanha, o pico de Montejunto, onde para nossa surpresa, nos aguardava um pequeno abastecimento gentilmente cedido pela “organização”, muito adequado para a ocasião, pois os mantimentos já escasseavam, além de nos presentear com uns bolos deliciosos que alguns insistiram em repetir por várias vezes, e um deles fui eu.  No cimo da montanha...ou quase... Bom, mas o melhor estava para vir, a partir daí. Logo que entrámos no singletrack a descer, bastante cerrado, rasgado na pedra, entre a vegetação densa, a visão que nos surgiu à frente, era deslumbrante. Um vale majestoso, que descia bruscamente para o vazio, com a planície lá bem abaixo, onde se avistava as casinhas e estradas em miniatura, os riders a percorrer o single, como que formigas num mundo de gigantes, uma paisagem magnífica, que por momentos me fez recordar os recantos da Serra da Estrela, uma imagem que ficará marcada na memória, um momento que perdurará no meu álbum das recordações do melhor de BTT que tive o privilégio de presenciar. Depois foi descer rapidamente, sentir aumentar a adrenalina, gozar o mais possível esse momento, aproveitar essa pedalada até acabar.   Magnifico cenário! E como tudo o que é bom, acaba depressa, a seguir tivemos que percorrer o resto do single, com a bike ás costas, numa autêntica escalada no sentido inverso, para baixo, mas igualmente satisfatório, pois a paisagem compensava e um pedestre embora forçado, também sabe muito bem. Além disso, ainda deu para descansar e apreciar mais um pouco, pois foi necessário o Lameira mudar uma câmara-de-ar, o que nos reteve durante uns 20 minutos e deu muito que fotografar. Como é hábito, eu o Vítor nestas ocasiões, não deixamos de aproveitar ao máximo o tempo dispensado, para tirar o máximo de fotos possíveis do local. Quem estava pior era o Paulo, ao meter-se logo a caminho, deve que esperar por nós, fomos encontrá-lo sentado encostado a uma árvore, para se proteger do vento frio.    Agora era a vez dele... Já se fazia tarde, a fome já incomodava, e o objectivo de chegar com a luz do dia obrigava a acelerar, mas as pernas já não eram as mesmas, o terreno continuava pesado e lamacento, e as subidas eram agora obstáculos muito difícil de ultrapassar. Mas ainda deu para gozar umas descidas fantásticas entre valas, lama, pedras e um adeus grandioso à serra vista agora de baixo, que revelava toda as sua beleza e dimensão. Chegados, com 65 kms no papo que devido às condições, pareceram 100, cansados, sujos, esfomeados, fomos directos para o banho quente e para uma refeição merecida, felizes pela conquista de Montejunto, mas principalmente, pelo privilégio de poder praticar o nosso desporto preferido, de sentir emoções e prazeres únicos, conviver com os amigos, descobrir novas paisagens, continuar este modo de vida, a paixão do puro BTT.  Um dia voltaremos...para reconquistar Montejunto! Joaquim Nobre (JJ©N)
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